Empresas geram grandes efeitos para seus stakeholders e para a sociedade. Embora seus resultados envolvam riquezas, produtos e serviços, também podem gerar danos e prejuízos. Por isso, precisam de um propósito que justifique sua existência (Ferrero, 2021).
Importância do propósito organizacional
O estabelecimento de um propósito serve como uma bússola, ou seja, indica uma direção a seguir e como se pode chegar lá. O propósito serve como uma orientação para a empresa avaliar: (1) se a atividade que desenvolve é apropriada para a sociedade, (2) se está tendo êxito na consecução de objetivos, e por fim, (3) se está sendo bem governada (Ferrero, 2021).
Desde uma perspectiva ética, pode-se abordar o propósito da organização em relação ao bem comum de uma sociedade. Isso significa conduzir a empresa de tal maneira que o seu propósito (ou bem comum em âmbito organizacional) esteja em harmonia com o bem comum da comunidade mais ampla da qual participa. Em outras palavras, o propósito da organização se sustenta pelos bens internos (virtudes) de suas práticas e é parte constitutiva do bem comum de uma comunidade (Moore & Brandy, 2016).
Quando o propósito está ausente
Nessa perspectiva, a empresa deve ser coerente entre o que comunica e o que faz. Isso significa concretizar o propósito em ações. Stakeholders notam quando isso não ocorre, o que afeta a reputação e a confiança depositada na empresa (sobre o assunto, veja o artigo sobre reputação corporativa).
Há empresas, por exemplo, que assumem uma missão e visão organizacional elevada, mas na prática não trabalham segundo os valores e premissas estabelecidos. Inevitalvelmente, trabalhadores e clientes notam essa discrepância. Outras estabelecem valores elevados somente para a relação com clientes e público em geral, mas não os consideram com os empregados. Ressalto que a tríade propósito, missão e valores deve estar presente no que a empresa faz em relação aos diferentes stakeholders. A coerência interna da empresa, mais a correspondência ao que se espera dela em termos legais, remete ao conceito de integridade organizacional (Fuerst & Luetge, 2021).
Propósito e relacionamento com stakeholders
No contexto atual de interdependencia, as empresas estão redefinindo seu propósito organizacional atentas as demandas dos stakeholders e envolvendo-os nas decisões. Com uma relação mais próxima e uma comunicação mais aberta, podem entender melhor as expectativas de seus clientes. Em alguns casos, por exemplo, empresa e clientes, ou outro stakeholder definem juntos sobre propósitos e soluções.
A comunicação com as partes interessadas torna-se um canal de mão dupla, entre uma organização e o seu público. Parte disso se deve às seguintes razões: o significado que as coisas têm para as partes interessadas é importante; o significado das coisas depende da interação social com outros agentes; e os significados dependem da experiência social dos agentes.
Para concluir, o propósito em sentido ético permite dirigir a organização de acordo com um norte moral, o qual abrange o papel da empresa em relação aos seus stakeholders e à comunidade. Uma futura reflexão poderia abordar a harmonia do propósito entre os niveis pessoal, organizacional e comunitário (bem comum).
Referências
Ferrero, I. (2021). Ética de la actividad económica y empresarial. Pamplona, Espanha: EUNSA.
Fuerst, M. J., & Luetge, C. (2021). The conception of organizational integrity: A derivation from the individual level using a virtue-based approach. Business Ethics, Env & Resp., 32(S1), 1–9. https://doi.org/10.1111/beer.12401
Moore, G., & Brandy, G. (2016). Bringing Morality Back in: Institutional Theory and MacIntyre. Journal of Management Inquiry, 1–19. https://doi.org/ 10.1177/1056492616670754