Não há dúvidas que todo pai e toda mãe desejam o melhor para seus filhos. A educação, entre outras formas de desenvolvimento, é uma das questões mais importantes de uma família. Por meio dela esperamos fortalecer nas crianças os valores aprendidos em casa e o conhecimento necessário à uma vida plena e autônoma.
Os valores compartilhados são a base das relações de afeto e cuidado que os filhos recebem da família. Os ensinamentos dos avós, as regras e apoio dos pais e o convívio entre irmãos contribuem para solidificar o papel da família como o porto seguro de seus membros.
Proporcionar aos filhos uma educação que valorize a vida em família creio ser uma expectativa real da maioria dos pais.
O problema
Espantosamente, não é essa a proposta em curso de boa parte das escolas brasileiras. Vou explicar o porquê. O que tenho observado é a pequena importância dada ao papel das famílias, especialmente dos pais, em relação ao desenvolvimento das crianças. Isso ocorre sutilmente, no conteúdo imaginário que a escola trabalha com as crianças, como também por modos mais visíveis, como em propostas de ensino baseadas na construção social, ou ainda, vinculadas à ideologias políticas.
Há escolas onde os valores relacionados à família e ao papel dos pais não são abordados. Tanto nas atividades de rotina, quanto no imaginário de histórias e propostas pedagógicas, o coletivo escolar prevalece sobre o familiar. Ao invés de fortalecer a base da família, as escolas apresentam “versões alternativas” sobre a vida em sociedade. Por exemplo, o contato com a natureza, a vida comunitária, o agradecimento da provedora “mãe-terra” são alguns projetos trabalhados.
Educação para o desenvolvimento intelectivo
Enquanto isso, o papel da mãe e do pai, do grupo familiar e o desenvolvimento daquela pequena pessoa não são nutridos nesse mundo infantil. Predomina uma lógica de fortalecimento do grupo, do coletivo, em detrimento da formação do ser. Com o tempo, as crianças tendem a desenvolver uma concepção de forças opostas, a família de um lado e o grupo social do outro.
Aí entramos na segunda questão: a educação para o desenvolvimento intelectual das crianças. Vejo escolas focando em socialização, construção coletiva e vida comunitária, desde muito cedo. Saber conviver em grupo é importante, sem dúvida. Só que a base de tudo para que a criança saiba atuar em uma sociedade começa pelo desenvolvimento cognitivo ou mental. Quem disso isso foi nada menos que Piaget e Kohlberg, estudiosos do desenvolvimento infantil.
Além disso, a base para uma educação que permita aos futuros jovens atuarem com liberdade envolve as artes que lhe dão autonomia para ser, agir e pensar: a gramática, a retórica e a lógica. O professor Mortimer Adler reforça essa tríade, encontrada no livro O Trivium, da irmã Miriam Joseph.
Crescimento cognitivo e tomada de perspectiva
Então começar pela formação intelectual das crianças é o primeiro passo. Kohlberg e Piaget perceberam que após a criança ter passado pelos três estágios de desenvolvimento cognitivo – o que inclui a capacidade de estabelecer relações de causa e efeito, levantar hipóteses ou fazer analogias – começam então a desenvolver sua capacidade de tomada de perspectiva.
A tomada de perspectiva ou empatia (quando relacionada às emoções) consiste em saber se colocar no lugar dos outros, isto é, ser capaz de perceber a perspectiva e necessidades dos outros. Isso inclui o entendimento das relações de causa e consequência das ações, por isso o desenvolvimento cognitivo a precede.
Crescer como pessoa
A pergunta que deve ser feita é se propostas escolares que valorizem a construção coletiva em detrimento da formação da pessoa são capazes de formar intelectualmente para que as crianças possam no futuro agir e pensar com autonomia. Na minha percepção, não há opção pior para a educação do que privar as crianças dessa formação intelectual enquanto pessoa humana. Enfatizo esse ponto porque o foco no grupo deveria ser uma questão secundária.
O que os pais buscam é uma educação que desenvolva a criança como pessoa, baseada em princípios éticos e que possa contribuir para o desenvolvimento intelectual. Uma das possibilidades nos primeiros anos da infância é que se pode contar com livros e histórias para enriquecer o imaginário das crianças, mas ainda assim devem ser escolhidos com atenção. Também é enriquecedor contar com a experiência de familiares, como os avós, com sua bagagem de sabedoria e vivências para os pequenos.
Sugestão
Deixo como sugestão observar os valores e símbolos de fundo das histórias apresentadas às crianças. É possível mostrar, por meio delas, os valores e hábitos mais importantes.
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