Estamos chegando ao final de 2024, ano que passou voando na percepção de muitos. Devido a um estilo de vida dependente da tecnologia, acelerado e produtivista, o qual Byung-Chul Han1 diagnosticou como a sociedade do cansaço, muitos estão esgotados. Outros observam com perplexidade ações de governos e acontecimentos dramáticos que deixariam surpreso até mesmo a George Orwell2. De fato, quando olhamos para os problemas desde uma perspectiva macro nos sentimos menos capazes de lidar com a complexidade das questões.
Felizmente, para 2025, podemos nos preparar desde uma perspectiva pessoal e contextualizada sobre nossa atuação, algo mais factível e sensato. Quando se trata de planejar sobre o futuro, muitos escrevem listas de resoluções ou objetivos. Essas listas geralmente envolvem objetivos materiais ou conquistas, como adquirir algum bem, ou realizar algo, como uma viagem. Mas poucos pensam sobre o seu propósito pessoal, entendido como quem se quer ser e que estilo de vida viver para responder a tal chamado.
Inteligência artificial e o futuro da sociedade: tendências em 2025
No entanto, o futuro que nos espera demanda de uma revisão mais profunda e honesta sobre o propósito. Isto porque as tendências para 2025 serão muito desafiadoras para o futuro do trabalho, as relações sociais e o estilo de vida que se está arquitetando em âmbito global. A tendência principal a que me refiro é a inteligência artificial, tendo em mente seus impactos positivos e negativos, bem como seu poder disruptivo sobre nossas vidas e na economia.
Uma segunda tendência advém dessa primeira: o apelo crescente em nível internacional para se pensar o futuro da sociedade na era da IA. Isso chega para cada um de nós como uma série de questões: quem estou me tornando ao delegar meu trabalho para a IA? Como me preparar para uma realidade mediada pela IA? Que vida queremos construir enquanto sociedade?
Por isso, não só os fins mas a forma como os objetivos pessoais são formulados fazem toda a diferença. Muito mais do que listar o que se quer adquirir ou realizar, é necessário que pessoas e empresas repensem seu propósito. Três pontos iniciais podem ajudar a repensar intenções para 2025.
Três pontos para a busca de propósito
- Primeiro ponto: pensar em objetivos pessoais não como um indivíduo isolado, mas levando em conta as partes interessadas ou stakeholders da sua vida. Isso significa assumir o fato de que dependemos dos demais para quase tudo e sem eles tampouco evoluímos como pessoas. As respostas para as perguntas “quem quero ser” e “como quero viver” devem levar isso em conta. Conte com a possível ajuda dos demais e pense em como pode contribuir para os objetivos das pessoas de seu convívio.
- Segundo: avaliar como adotar um estilo de vida equilibrado, entre as diversas esferas da vida e as responsabilidades que assumimos. Como fazê-lo: estabelecer hábitos em sua rotina e ter perseverança para atender aos respectivos chamados de âmbito, profissional, familiar, etc. Reserve também um tempo para o ócio e o lazer, pois renovam nossas energias e são fonte de criatividade. Cabe ainda recomendar o uso moderado de tecnologias e redes sociais, as quais têm gerado problema sociais e cognitivos.
- Terceiro: pensar ponderadamente e a longo prazo sobre o seu propósito. Em seu plano pessoal, 2025 pode ser um primeiro passo para um projeto de vida maior, a ser concretizado futura e gradativamente. Depois de entender seu propósito, identifique os passos ou pequenos objetivos para realizá-lo. Importante: tanto para pessoas quanto para empresas, cada etapa no planejamento é importante: estabelecimento, implementação, avaliação e celebração. Por isso, comemore as pequenas conquistas, celebrando com os demais. Líderes deveriam dar mais atenção aos ritos de comemoração nas organizações.
Conclusão
Os três pontos apresentados certamente não são os únicos relacionados ao propósito, mas representam uma vida menos individualista, mais equilibrada e mais íntegra a longo prazo.
Por fim, vale destacar que pensar no propósito pessoal e nas perguntas “quem quero ser?” e “como quero viver?” não é necessariamente algo a se fazer sozinho. Um dos métodos complementares que podemos empregar é fazer um desenho dos objetivos e mantê-lo à vista (funcionou para mim!). O grande valor de se dar conta do propósito pessoal é que, como agentes, vivenciamos uma vida com sentido na qual podemos conectar quem somos à formas de servir aos demais. Com um norte em nosso projeto de vida, ficamos menos vulneráveis às distrações e teremos mais domínio sobre o rumo de nossas vidas.
Notas
- Han, B-C. (2024). La sociedad del cansancio. Barcelona: Herder.
- Aqui me refiro à visão distópica de George Orwell em seu livro “1984”.